Curiosidades do arquivo de um jornalista
Passei boa parte desta noite futricando os textos que escrevi ao longo de 2006. Re-descobri muitos poemas. Não é o que quero compartilhar aqui.
O que vai abaixo é uma curta reflexão sobre a semelhança entre o São Paulo de 2005 e o Palmeiras de 2006 -- ambos sob a batuta de Emerson Leão. Fiz um paralelo com Quase Dois Irmãos, de Lúcia Murat. Daí decorre a brincadeira do título.
Mantenho a comparação. Mais: vou além. Diria que o São Paulo é o Miguel do filme: segue vivendo e alcança algumas metas. O Palmeiras foi o Jorginho, morreu na praia.
Ano: 2005. São Paulo Futebol Clube, Campeão Paulista. Ano: 2006. Sociedade Esportiva Palmeiras, líder isolada do Paulistão, 100% de aproveitamento. Muitos dirão que é cedo para apostar suas fichas, e alguns palitinhos no bar, na conquista do título estadual pelo Verdão. Mas é impossível fugir dos paralelos entre a equipe do Palestra e a do Morumbi.
O técnico era o mesmo, Leão. As circunstâncias de chegada, também. Leão classificou o São Paulo para a Libertadores de 2005, assim como o fez no Palmeiras, para a competição deste ano. O padrão de jogo também era o mesmo. Uma zaga sólida, liderada por Diego Lugano, um meio campo seguro com dois volantes esforçados e ataque eficiente. No Palmeiras a escrita se mantém. O Leonino também comanda um time com boa zaga – Daniel regular pelo alto e Gamarra compensando a idade com genialidade –, marcação firme e criatividade no meio campo. No ataque, Animal. Isso já explica muito.
Em 2006, o Palmeiras contratou pouco e seguiu a política do “bom e barato”, além de manter a base do ano passado. Sob muitos holofotes chegaram Edmundo e Paulo Baier, acompanhados de Ricardinho e Enílton. Os reforços se juntaram aos destaques do ano passado: Gamarra, Marcinho Guerreiro, Marcinho, Juninho Paulista.
O tricolor de 2005 trouxe para aquela temporada Luizão, Mineiro (autor do gol no Mundial), Josué e Falcão. Os reforços se juntaram à Danilo, Cicinho, Júnior, Fabão e Grafite (destaque até se contundir), que vieram em meados de 2004 – desmontando o redondinho Goiás.
Estilos de jogo se assemelham. Mineiro e Josué ficavam mais presos, protegendo a defesa das sucessivas subidas ao ataque de Júnior e principalmente Cicinho. Hoje, Marcinho Guerreiro é o grande cão de guarda verde que permite a Paulo Baier a folga de desenvolver o mesmo futebol que o “revelou” no Goiás, anotando muitos gols. O cérebro criativo – à época Danilo – que também exercia extrema importância tática – fica por conta de Marcinho, que tem estilo de jogo diferente, mas é vital para a equipe, assim como o meia Tricolor.
As diferenças estão no esquema tático e no ataque. Em 2005, Leão adotou o 3-5-2, pois dispunha de bons zagueiros e faltavam jogadores criativos no meio campo. Este ano, a situação se inverte e o técnico tem quatro armadores brigando por duas posições: Juninho Paulista (ainda contundido), Ricardinho, Marcinho e Cristian.
Além disso, o ataque Tricolor era o grande responsável pelos gols do time. Grafite caía pela esquerda, direita e se destacava pelas arrancadas até a linha de fundo. O encrenqueiro Diego Tardelli (hoje no Betis) foi o vice-artilheiro do Paulistão-05 com 12 gols em 19 partidas. Luizão dividiu a artilharia do São Paulo na Libertadores com Rogério Ceni, ambos com cinco gols. O ataque do Verdão ainda não traz tanta tranqüilidade. Edmundo está em adaptação ao seu “novo” clube e seu companheiro na frente é uma incógnita. Mesmo fazendo gols, Washington ainda não se firmou. O mesmo diz-se para Enílton, vindo do Juventude, e Gioino, que fez anotou importantes tentos na temporada passada.
A quem considera precoce supor que o Palmeiras leva o caneco este no resta um argumento. No Paulistão do ano passado, o Verdão também começou arrasador. Logo na estréia, meteu um
Corta! “Quase Dois Irmãos”, o filme. Na produção de Lúcia Murat, os protagonistas, dependendo do olhar, “subiram na vida”. Jorginho tornou-se chefe do morro, obtendo prestígio mesmo que por meios ilícitos ao passo que Miguel conseguiu um mandato de deputado federal eminente, mas esteve passivo de críticas como todo político.
Juliana, filha de Miguel, contrariou o pai e se envolveu com um rapaz no morro de Jorginho. Leão, mesmo sob os gritos da torcida são-paulina de "Fica Leão!", trocou o Morumbi pelo Parque Antárctica, após uma breve passagem pelo futebol japonês. Veremos se as semelhanças se converterão em títulos e bom futebol, assim como ocorreu na temporada passada.
Colaboração de Dante Baptista
